terça-feira, 20 de outubro de 2015

A CONEXÃO CORPO/MENTE


A íntima conexão entre a mente e o corpo sempre foram tidas como princípios e postulados básicos das grandes correntes espirituais e médicas do Oriente. No entanto no Ocidente, essa visão sempre foi tida como estranha, por incrível que pareça, até há bem poucas décadas atrás; a mente e o corpo, durante muito tempo, foram separados por um muro denso e espesso. Na conceção ocidental, a mente era um fantasma e o corpo uma espécie de máquina. No que diz, por exemplo, respeito à medicina alopática, estas ocupavam domínios totalmente distintos. Até há poucas décadas atrás, as mais prestigiadas publicações médicas ocidentais ridicularizavam o conceito de que a doença e a saúde, dependiam de algo tão nebuloso como a mente dos pacientes...e esta visão, tão míope quanto estreita, da medicina médica, durante muito tempo foi vigente no Ocidente, e tal como uma inquisição saída de um cristianismo déspota e degenerado, perseguiu implacavelmente aqueles que se atreviam a discordar desse ponto de vista, criando muito sofrimento e muitos dissabores.
    No entanto, a partir dos anos 70, começaram a surgir evidências científicas que apontavam, cada vez mais, na validação da teoria da conexão mente-corpo; estas começaram a ganhar peso com a descoberta de moléculas mensageiras, neuroquímicos, que fluíam pela corrente sanguínea, transformando pensamentos, emoções, crenças, desejos, sonhos e medos em realidade física. A mente se torna matéria, não por um passe de mágica, mas como processo natural dos cinquenta triliões de células do corpo.
   Entre outras, as pesquisas mais recentes dos Institutos de Saúde americanos (National Institutes of Health) apuraram dados importantes sobre a relação da mente, com o corpo físico. Atualmente, sabe-se que o cérebro segrega uma substância química - os neuropeptídeos - sempre que ocorre um pensamento ou um sentimento. O tipo de neuropeptídeo produzido depende da qualidade do pensamento ou do sentimento em causa. Por outro lado, os neuropeptídeos, não estão confinados ao cérebro ou ao sistema nervoso. Descobriram-se recetores destas substâncias em diversos órgãos, nomeadamente no sistema digestivo, no coração, nos pulmões, nos rins, e até no sistema imunitário, o que indica que exercem uma influência importante sobre todos os processos fisiológicos, entre os quais, é claro, a produção de energia e o sistema imunitário. Hoje sabe-se que um individuo, não experimenta uma única emoção, sem compartilhá-la com as células do coração, dos pulmões, rins, estômago e intestinos. Esses órgãos participam de sua vida mental, tanto quanto o cérebro. Tudo o que a mente pode conceber, é projetado numa tela de três dimensões, a que chamamos corpo. Na verdade, não temos um corpo e uma mente, mas um “corpomente”, uma teia de inteligência sem costuras que expressa cada fagulha de intuição, cada alteração na configuração dos aminoácidos, cada vibração dos eletrões.
   Tudo isto já era muito bem conhecido e explicado pelas antigas correntes milenares médicas, como a medicina Ayurvédica e a medicina Tibetana.





terça-feira, 29 de setembro de 2015

 

   If happiness depended on only material development, rich countries such as America would be very happy places...many people try to follow the American way of life, thinking it will bring them happiness, but personally, I find greater peace in more spiritually minded countries such as India and Nepal. These are much happier countries, more peaceful for the mind. When I return to India after traveling in the West, it’s like coming home. There are so many differences. India is actually a very spiritual country and this makes a great difference to the mind."
“When you look at materialistic societies and the way people live, your own mind gets disturbed. The people there are increasingly busy, and new and different problems continually arise; they’re tense and nervous and have no time to relax. In India, you see people relaxing all over the place, but in the West, you pick up the vibration of the population’s agitated minds and finish up feeling nervous yourself. If happiness depended solely on external development, countries like Switzerland and America would be the most peaceful places on earth, with less quarreling, fighting and violence, but they’re not like that.”

     
- Lama Zopa Rinpoché

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

             O PODER DOS MANTRAS E A CONSTITUIÇÃO SUBTIL DO SER HUMANO                         (PARTE 1)

No mundo humano, o corpo físico e psíquico é estruturado de uma maneira particular. Para além da estrutura física do corpo humano, que é relativamente conhecida pela atual medicina científica, e que é constituída pelos sistema nervoso, sistema circulatório, linfático, digestivo, etc, existe, no entanto, segundo a antiga medicina tibetana, um conjunto de sistemas energéticos que são invisíveis não apenas ao olho humano, mas também aos atuais instrumentos da ciência médica. Dentre esses sistemas energéticos, estão, entre outros, o sistema dos canais subtis (em tibetano Rtsa). Esse sistema de canais subtis é formado por um vasto sistema circulatório constituído por 72000 canais de energia, e que estão todos ligados a um canal principal chamado de canal central. Para além deste canal central existem dois outros canais, paralelos a este, que estão ligados à energia solar e energia lunar no nosso corpo. As formas das extremidades de todo este vasto sistema de canais subtil, correspondem às 56 vogais e consoantes ALIKALI do alfabeto sânscrito. Este alfabeto tem por origem, as configurações das extremidades dos canais de energia, que determinam a forma particular como os sons são formados ( as 56 vogais e consoantes ALIKALI, são as chaves para o espectro de vibrações cósmicas puras. No Oriente, na tradição tântrica hinduísta e budista, temos o arquétipo da Deusa da Sabedoria Sarasvati, que toca uma vina com 56 cordas. Cada uma dessas cordas representa uma das letras mântricas puras do alfabeto sânscrito ALIKALI. Quando recitamos um mantra, usamos essas chaves de sabedoria para nos sintonizarmos com o fluxo cósmico da energia de puro cristal da nossa mente). Esta é uma das razões pelos quais a língua sânscrita é uma língua sagrada (assim como o tibetano que deriva diretamente do sânscrito); a sua origem, está ligada a própria estrutura psíquica do ser humano. A capacidade vocal de um ser humano, ou seja, a sua aptidão para articular um grande número de sons, mais do que qualquer outro ser vivo, deve-se ao facto, entre outros, de eles serem inerentes à  variedade da estrutura do seu corpo psíquico .
No caso dos animais, os seus canais de energia, não têm uma estrutura variada como no caso dos seres humanos, eles têm todos a mesma forma: eles são todos planos ou todos redondos, ou todos quadrados, enquanto que nos seres humanos eles são muito variados. Por consequência, a variedade de sons que um animal pode fazer é muito limitada, por comparação com um ser humano.
Assim, quando estamos a entoar um mantra em sânscrito/tibetano, o som que se propaga através da vibração, está a “influenciar” diretamente a vasta rede de canais subtis que existe dentro dos nossos corpos subtis, atuando no nosso ser. Como essa rede de canais, está diretamente ligada à estrutura da nossa psique, o som dos mantras, atua no âmago da nossa mente.


sábado, 23 de maio de 2015

A PALAVRA DO BUDA: O SAMSARA

 "O começo deste samsara é inconcebível; difícil é de se conhecer qualquer princípio dos seres que, obstruídos pela ignorância e enredados na cobiça, correm apressadamente através deste ciclo de renascimentos.
O que pensais ser maior: a inundação das lágrimas que, em choro e lamento, haveis derramado neste longo caminho - nesta corrida desenfreada ao longo deste ciclo de renascimentos, unido ao que é indesejável, separado do que é desejável - ou as águas dos quatro oceanos?
Durante muito tempo sofreste a morte de pai, mãe, filhos, filhas, irmãos e irmãs. E nesse sofrimento, haveis derramado na realidade mais lágrimas neste longo caminho do que a água dos quatro grande oceanos". S.15:3 (Samyutta-Nikaya 15:3)

 "O que pensais ser maior: os rios de sangue que foram derramados pela vossa decapitação, neste longo caminho...ou as águas dos quatro oceanos?
Por eras sem fim, tendes sido apanhados como ladrões, ou bandidos ou adúlteros e, na verdade, pela vossa decapitação, correu muito mais sangue neste longo caminho do que a água dos quatro oceanos.
Mas como é isto possível?
É inconcebível o começo deste samsara; difícil será de conhecer qualquer início dos seres que obstruídos pela ignorância e enredados pela cobiça, correm apressadamente por este ciclo de renascimentos".
S.15:13 (Samyutta-Nikaya 15:13)

 "E assim, há muito que vós tendes vindo a sofrer, vivendo tormento, vivendo o infortúnio, a encher os cemitérios; na verdade, já há muito que vós tendes vivido o suficiente para vos sentirdes insatisfeitos com todas as formas de existência, o bastante para partir e libertar de todas elas".
S.15:1 (Samyutta-Nikaya 15:1)


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

A RELAÇÃO ENTRE O UNIVERSO (MACROCOSMO) E O NOSSO CORPO(MICROCOSMO)



Todos os fenómenos são manifestações da nossa mente muito subtil. Eles surgem dessa mente como as ondas surgem do oceano”
O grande Mahasiddha Saraha

O nosso corpo, o microcosmo, contém todas as energias (elementos) do Universo, o macrocosmo…este é, aliás, um dos postulados da antiga medicina tibetana. Segundo esta, aliás, segundo todas as grandes correntes médicas do oriente, o Macrocosmo e o microcosmo compartem da mesma base material- os 5 elementos: espaço, vento, fogo, água e terra. Na realidade, todos os fenómenos, animados ou inanimados, são sustentadas pelos 5 elementos. Estes elementos são princípios cósmicos, energias cósmicas, às vezes até se descrevem como a teoria subatômica cosmofísica, em lugar de serem apenas as coisas simples que os seus nomes indicam. Por serem os 5 princípios omnipresentes dos fenômenos, chamam-se de grandes: O elemento terra é o principio da solidificação ou formação; o elemento água é o principio da coesão; o fogo é o principio do calor, do amadurecimento, ou maturação, o vento é o principio do movimento, da vibração e por fim o elemento espaço que é a energia que tudo permeia, e que é um aspeto da vacuidade. Segundo a MTT (medicina tradicional tibetana), no corpo humano, esses cinco elementos ( na forma física e “grosseira”) expressam-se, na seguinte forma: os músculos e ossos são terra, o sangue e a linfa são água, o calor do corpo é fogo, a função nervosa e motora é vento, e a consciência é éter. Na sua forma mais subtil, porém, esses 5 elementos, descrevem-se em termos de energias muito refinadas, expressas como luzes quinquecoloridas. Esses elementos internos nascem da mente primordialmente luminosa e vazia da sabedoria e, em função do Carma individual, vão-se manifestando, desde pura energia até a matéria grosseira, por etapas, de diferentes formas por forma a constituir um ser humano especifico.
Por outro lado, segundo a vertente tântrica da medicina tibetana, todos os fenómenos externos e internos são manifestações da nossa própria consciência e do nosso vento de energia(muito) subtil. Portanto, todos os fenómenos estão relacionados entre si. O vento de energia subtil, ao qual está unida a nossa consciência, tem cinco cores, correspondentes aos cinco elementos subtis. Como referi esses elementos internos subtis nascem da mente primordialmente luminosa e vazia da sabedoria. Devido ao nosso apego ao nosso próprio eu e devido ao karma coletivo dos seres vivos, esse vento de energia subtil manifesta o universo externo e interno em diversas etapas. Um exemplo dessa manifestação em etapas é a formação de um bebé no ventre materno, ou a formação do universo no espaço.

Segundo a tradição Yóguica Tibetana a formação do Universo passa pelas seguintes etapas:
1- O elemento espaço permite que os outros 4 elementos interajam; esse é o mandala-vajra do espaço(EH)
2- Devido ao karma coletivo dos seres vivos manifesta-se a energia do elemento vento: o mandala vajra do vento (YAM)
3- Devido à circulação do vento, surge uma fricção que produz a energia do calor: o mandala-vajra do fogo (RAM)
4- Devido à elevação da energia do fogo, que depois se resfria novamente, forma-se o vapor de água : o mandala- vajra da água(BAM).
5- A solidificação da água forma uma pasta que se endurece e se transforma na terra : o mandala-vajra da terra (LAM).

A formação do corpo humano assiste a um processo semelhante à da formação do universo:
1- O elemento espaço no ventre materno permite que os outros quatro elementos se manifestem: é o mandala-vajra do espaço(EH).
2- Devido à força do karma, as energias subtis do espermatozoide e do óvulo dos pais, movimentam-se unidas, criando a energia do vento: o mandala-vajra do vento (YAM)
3- Devido à fricção da entrada da consciência no espermatozoide e no óvulo unidos, produz-se o calor da união: o mandala- vajra do fogo (RAM)
4- Devido à elevação da energia do fogo, que depois se resfria novamente, gera-se um liquido: o mandala-vajra da água(BAM)
 5-Devido à solidificação do liquido, o corpo físico começa a se formar: o mandala-vajra da terra (LAM)
Todos os fenómenos do mundo externo e interno são flashes manifestando-se e desaparecendo da existência na esfera da vacuidade e bem-aventurança. Todos os fenómenos passam por vários estágios de transformação ou manifestação, desde pura energia até a matéria grosseira. Da esfera da vacuidade e bem-aventurança surge uma sílaba-semente “mântrica“ subtil pura, ou vibração pura, que se transforma nos incontáveis fenómenos grosseiros do universo relativo. Na realidade, tudo aquilo que percecionamos no chamado universo exterior e interior emana da nossa mente muito subtil e advêm inteiramente do nosso karma.


sábado, 6 de julho de 2013

AS ORIGENS DAS TRADICIONAIS CIÊNCIAS TIBETANAS DE CURA

SO WA RIGPA
Buddha Shakyamuni passou muitos ensinamentos essenciais sobre a cura do nosso corpo e da mente nos níveis grosseiro e subtil. Esses ensinamentos podem ser encontrados nas tradições Hinayana, Mahayana e Vajrayana, na coleção dos Sutras e Tantras: o “Kanguiur” e os seus comentários, conhecidos como “Tenguiur”. A essência de todos os métodos de cura do corpo e da mente está contida nos textos da ciência médica dos Quatro Tantras “So Wa Rigpa Guiu Shi”.
O “Guiu Shi” foi ensinado pelos Cinco Dhyani Buddhas, que se emanaram dos cinco chakras principais  do Buddha Shakyamuni. Buda Amithaba  Rigpa Yeshe revelou o Tantra-Raiz, ou “Tsa-Guiu”; o Buda Vairochana  Rigpa Yeshe revelou o Tantra Explicativo, ou “Se Guiu”; o Buda Ratnasambhava  Rigpa Yeshe revelou o Tantra da Transmissão Oral, ou “Men Nga Guiu”; o Buda Amoghasiddhi  Rigpa Yeshe  revelou o último Tantra, ou “Chi Me Guiu”.
O primeiro detentor dessa linhagem médica foi Jivaka, o médico pessoal do Senhor Buddha. Devido às suas qualidades especiais como médico, as pessoas o consideravam o príncipe do Tantra medicinal. Algumas das suas reencarnações posteriores foram Yuthog Yonten Gonpo, o mais idoso e Yuthog Yonten Gonpo, o jovem, que viveram respetivamente nos séculos IX e XII. Eles foram responsáveis por misturar esses ensinamentos medicinais com os sistemas médicos indígenas do Tibete e também pela reedição de antigos textos e a composição de comentários. Devido a esse trabalho as ciências tibetanas de cura permaneceram vivas no Tibete e, hoje, estão sendo divulgadas por todo o mundo.
Nos tempos antigos, esses preciosos ensinamentos eram mantidos secretos. Hoje porém, eles estão sendo partilhados com este mundo devido ao seu valor para o desenvolvimento da paz no mundo interno e externo.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Respiração Kum Nye (Nyingthig tsa-long)

                                                    Auto cura pela respiração

Porque a respiração indica os ritmos da vida, o modo como respiramos assinala a disposição das nossas energias. A agitação ou a excitação torna a respiração irregular e rápida; mas quando estamos calmos e equilibrados o nosso respirar é regular, lento e suave. Podemos modificar também o nosso estado mental e físico pela maneira de respirar. Até quando estamos muito perturbados nos podemos acalmar e equilibrar, respirando lenta e regularmente. Segundo a medicina tibetana, a “energia da respiração”(em tibetano: rlung) está por detrás de todas as energias físicas e mentais…há um caráter de reciprocidade entre a mente e a energia da respiração, de sorte que o domínio e estabilização da energia da respiração estabiliza a mente…aliás, esse é o princípio básico de todo o yoga
Quando a respiração é consistentemente calma e regular, a energia aumenta e a saúde melhora. Dormimos melhor. Todo o organismo mental e físico se equilibra. A mente faz-se mais lúcida e o corpo alerta e sensitivo: a audição é mais clara, as cores são mais vibrantes e é possível saborear melhor os gostos da experiência. As tonalidades dos sentimentos são mais ricas, de modo que pequenas coisas podem ser desfrutadas tremendamente, como uma pequena gargalhada. Uma vez que soubermos estabelecer contato com a energia da respiração, a respiração se tornará numa fonte infinita de energias vitalizantes.
…Segundo a medicina tibetana, a energia da respiração se associa particularmente com o centro de energia ou chakra (em tibetano: khor-lo, litreralmente”roda”) da garganta, que não só a evoca, mas também lhe coordena o fluxo através de todo o corpo. Por conseguinte, é através do chakra da garganta que aprendemos mais facilmente a fazer contato e a equilibrar a energia da respiração e de outras energias subtis.
O chakra da garganta é descrito tradicionalmente como uma flor de dezasseis pétalas com duas florescências de costas uma para a outra, porém ligadas entre si. Uma flor de oito pétalas está diretamente associada ao chakra da cabeça; a outra, ao chakra do coração; à medida que as energias passam pelo chakra da garganta, fluem para fora, demandando os outros chakras. Quando o chakra da garganta está estabilizado e calmo, as energias fluem de modo equilibrado e coordenado: as energias mentais e físicas se integram e a própria respiração se equilibra e purifica. No entanto, normalmente, devido ao estilo de vida perturbado em que vivemos, o chakra da garganta é agitado, de modo que essas energias ficam “bloqueadas” e não fluem de forma adequada.
É possível, todavia, respirar de tal modo que o chakra da garganta se torne calmo e funcione suavemente. A maneira de fazê-lo consiste em respirar devagar e de modo uniforme, assim pelo nariz como pela boca, com a boca um pouco aberta e a língua tocando de leve e confortavelmente, o céu-da-boca. No princípio, isso não é muito confortável, mas, à medida que a energia viaja uniformemente para os chakras da cabeça e do coração, sentem-se os efeitos vitalizantes desse modo de respirar, cada vez mais fácil e agradável de executar. À medida que o fluxo de energias dentro de nós se equilibra, os nossos sentimentos e sensações se desdobram naturalmente e nós abrimo-nos para sensações profundas de realização.
Mas isso leva tempo. Por ser o fluxo de energias através de todos os nossos sistemas tão frequentemente desequilibrado, perdemos o contato com as sensações e sentimentos….habitualmente, os nossos fluxos de energias convergem excessivamente para o chakra da cabeça e em défice para o chakra do coração.
Todos os extremos emocionais e todos os desequilíbrios ocorrem nesse estado: emoção muito acentuada, como a raiva ou o ódio, ou a depressão severa e falta de energia. Enquanto o chakra da garganta não se organiza e as energias subtis não se distribuem uniformemente para o coração e para a cabeça, não podemos contatar efetivamente os nossos sentidos nem tocar os nossos verdadeiros sentimentos. Sem a energia necessária para ativá-los, os sentidos são incapazes de operar adequadamente e parecem estar adormecidos.
Respirando suavemente pela boca e pelo nariz, levamos a respiração, pouco a pouco, a um nível regular, e equilibramos o chakra da garganta. Esse respirar firme, igual e, contudo, não controlado, tem uma espécie de qualidade aberta. Até o respirar pela primeira vez dessa maneira, sentimos os sentidos a despertarem e começarem a mover-se.
      No princípio, preste atenção ao respirar pelo nariz e pela boca, sem esforço e sem tensão. Deixe que o respirar seja natural; você não precisa pensar em fazê-lo corretamente…mas, seja como for, lá longe, a sua perceção se adverte de que o seu respirar é igualmente distribuído entre o nariz e a boca e entre a inspiração e a expiração.
      À medida que você respira, o seu corpo se acalma e você se sente relaxado. Assim que perceber o sentimento de relaxamento, com as suas diferentes tonalidades de impressões sensoriais e delicadas sensações de bem-estar, prove-o e disfrute-o, mergulhando o mais plenamente possível nessas sensações…assim que estabelecer contato com o sentimento de relaxamento, você terá encontrado o caminho. Enverede por ele tão profundamente quanto puder; quanto mais você se aprofundar, tanto mais rico se tornará o sentimento e você poderá, então, colhê-lo e levar a colheita a todas as partes do seu corpo. Você poderá senti-lo até na medula dos ossos e fora do seu corpo também. Para onde quer que você olhe, lá estará o mesmo sentimento.
Em seguida, limite-se a acumular a qualidade desse sentimento, estimulando-o, tornando-o ainda mais rico, mais profundo e mais amplo. Encoraje a qualidade do respirar. Deixe que ele se torne alegre; acumule-o como se acumula água para criar energia elétrica. O sentimento é alegre, tremendamente aberto, com uma vasta qualidade de união. O sentimento pode tornar-se tão vasto que há uma qualidade quase avassaladora, tão poderosa que você sente não poder mais suportá-la. Finalmente, quando o sentimento adquire essa força, ela pode abrir todos os seus chakras, as suas células e sentidos; o seu corpo inteiro se torna equilibrado.
Praticando com firmeza esse respirar e contatando esse sentimento você poderá acumulá-lo cada vez mais até que você, afinal, tocará diretamente a sua essência. Você não precisa de interpretações nem de palavras-estará simplesmente ali de forma direta. Depois todas as vezes que quiser utilizar a energia, poderá fazê-lo. Como se adicionasse tempero à comida, você estará em condições de usar a quantidade que quiser, toda a vez que precisar dela.
`A medida que você desenvolver a qualidade do seu respirar, a atenção, nascida da experiência direta, se expandirá pouco a pouco até que a respiração e a atenção se transformem numa unidade. A partir de então, as energias da atenção e da respiração se estimularão umas às outras, e a energia crescerá, sempre fresca e acessível. O processo é quase como o de carregar uma bateria: você põe em contato a atenção, ou energia mental, com a respiração, e estimula a energia. Esse é o segredo da energia abundante. Ainda que ela seja escassa no momento, você poderá alcançá-la. Quando souber o que fazer para regenerar a sua energia e manter um bom suprimento dela, você poderá até dar-se ao luxo de distribui-la, pois terá dela um manancial infinito.
Quando você estiver consciente da sua respiração, toda a sua vida se equilibrará. Quanto mais energia acumular com a respiração, tanto mais o seu corpo se acalmará.
É importante, todavia, trabalhar continuamente com a respiração, pois, se você não o fizer, os efeitos durarão pouco tempo; o corpo, a mente e os sentidos voltarão a um ritmo desequilibrado. Por conseguinte, pratique esta respiração todos os dias, pelo menos durante três meses: de vinte a trinta minutos por dia ajudam bem. No princípio, talvez ajude a separar as diferentes qualidades desta respiração. Na primeira semana, respire bem suavemente, depois na segunda semana, respire muito lentamente…depois desenvolva um respirar regular e equilibrado, que também deve ser suave e lento. Procure manter a energia fluindo, acumulando-a e gerando-a com o respirar. A princípio você ficará alerta, prestando atenção à respiração. Depois gradualmente, desenvolverá uma qualidade de atenção como a meditação. Não importa o nome que você lhe der- relaxamento, atenção ou meditação- pois estes serão simples rótulos.
Logo que aprendermos a acumular energia, podemos prosseguir noite e dia, e não apenas em certos momentos. O corpo se relaxa completamente, a tensão muscular e os bloqueios mentais se dissolvem e a energia se distribui por toda a parte.
Comece por respirar facilmente. À medida que progride, respire mais devagar. Permita simplesmente que o respirar se saliente até se tornar, totalmente suave e regular, quase sem inspiração nem expiração.

A chave para a integração interna e do relacionamento equilibrado com o mundo reside nos nossos sentimentos e sensações.
Porque tanto as energias externas quanto as internas provêm do mesmo “respirar” ou “prana”, à medida que o nosso ambiente interno se modifica, modifica-se também a nossa relação com o mundo externo, e o universo se torna muito mais habitável, como se o mundo externo dos objetos e o nosso mundo interno dos sentidos - a nossa consciência- devessem fundir-se. Nós sustentamos o mundo, e o mundo nos sustenta, a nós e aos nossos sentidos. Estes nos dão prazer, e nós nos sentimos positivos; nós projetamos e recebemos de volta o que projetamos. O interior e o exterior se harmonizam e equilibram.