quarta-feira, 2 de setembro de 2015

             O PODER DOS MANTRAS E A CONSTITUIÇÃO SUBTIL DO SER HUMANO                         (PARTE 1)

No mundo humano, o corpo físico e psíquico é estruturado de uma maneira particular. Para além da estrutura física do corpo humano, que é relativamente conhecida pela atual medicina científica, e que é constituída pelos sistema nervoso, sistema circulatório, linfático, digestivo, etc, existe, no entanto, segundo a antiga medicina tibetana, um conjunto de sistemas energéticos que são invisíveis não apenas ao olho humano, mas também aos atuais instrumentos da ciência médica. Dentre esses sistemas energéticos, estão, entre outros, o sistema dos canais subtis (em tibetano Rtsa). Esse sistema de canais subtis é formado por um vasto sistema circulatório constituído por 72000 canais de energia, e que estão todos ligados a um canal principal chamado de canal central. Para além deste canal central existem dois outros canais, paralelos a este, que estão ligados à energia solar e energia lunar no nosso corpo. As formas das extremidades de todo este vasto sistema de canais subtil, correspondem às 56 vogais e consoantes ALIKALI do alfabeto sânscrito. Este alfabeto tem por origem, as configurações das extremidades dos canais de energia, que determinam a forma particular como os sons são formados ( as 56 vogais e consoantes ALIKALI, são as chaves para o espectro de vibrações cósmicas puras. No Oriente, na tradição tântrica hinduísta e budista, temos o arquétipo da Deusa da Sabedoria Sarasvati, que toca uma vina com 56 cordas. Cada uma dessas cordas representa uma das letras mântricas puras do alfabeto sânscrito ALIKALI. Quando recitamos um mantra, usamos essas chaves de sabedoria para nos sintonizarmos com o fluxo cósmico da energia de puro cristal da nossa mente). Esta é uma das razões pelos quais a língua sânscrita é uma língua sagrada (assim como o tibetano que deriva diretamente do sânscrito); a sua origem, está ligada a própria estrutura psíquica do ser humano. A capacidade vocal de um ser humano, ou seja, a sua aptidão para articular um grande número de sons, mais do que qualquer outro ser vivo, deve-se ao facto, entre outros, de eles serem inerentes à  variedade da estrutura do seu corpo psíquico .
No caso dos animais, os seus canais de energia, não têm uma estrutura variada como no caso dos seres humanos, eles têm todos a mesma forma: eles são todos planos ou todos redondos, ou todos quadrados, enquanto que nos seres humanos eles são muito variados. Por consequência, a variedade de sons que um animal pode fazer é muito limitada, por comparação com um ser humano.
Assim, quando estamos a entoar um mantra em sânscrito/tibetano, o som que se propaga através da vibração, está a “influenciar” diretamente a vasta rede de canais subtis que existe dentro dos nossos corpos subtis, atuando no nosso ser. Como essa rede de canais, está diretamente ligada à estrutura da nossa psique, o som dos mantras, atua no âmago da nossa mente.


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