O PODER DOS MANTRAS E A
CONSTITUIÇÃO SUBTIL DO SER HUMANO (PARTE 1)
No mundo
humano, o corpo físico e psíquico é estruturado de uma maneira particular. Para
além da estrutura física do corpo humano, que é relativamente conhecida pela
atual medicina científica, e que é constituída pelos sistema nervoso, sistema
circulatório, linfático, digestivo, etc, existe, no entanto, segundo a antiga
medicina tibetana, um conjunto de sistemas energéticos que são invisíveis não
apenas ao olho humano, mas também aos atuais instrumentos da ciência médica.
Dentre esses sistemas energéticos, estão, entre outros, o sistema dos canais
subtis (em tibetano Rtsa). Esse
sistema de canais subtis é formado por um vasto sistema circulatório
constituído por 72000 canais de energia, e que estão todos ligados a um canal
principal chamado de canal central. Para além deste canal central existem dois
outros canais, paralelos a este, que estão ligados à energia solar e energia
lunar no nosso corpo. As formas das extremidades de todo este vasto sistema de
canais subtil, correspondem às 56 vogais e consoantes ALIKALI do alfabeto
sânscrito. Este alfabeto tem por origem, as configurações das extremidades dos
canais de energia, que determinam a forma particular como os sons são formados
( as 56 vogais e consoantes ALIKALI, são as chaves para o espectro de vibrações
cósmicas puras. No Oriente, na tradição tântrica hinduísta e budista, temos o
arquétipo da Deusa da Sabedoria Sarasvati, que toca uma vina com 56 cordas.
Cada uma dessas cordas representa uma das letras mântricas puras do alfabeto
sânscrito ALIKALI. Quando recitamos um mantra, usamos essas chaves de sabedoria
para nos sintonizarmos com o fluxo cósmico da energia de puro cristal da nossa
mente). Esta é uma das razões pelos quais a língua sânscrita é uma língua
sagrada (assim como o tibetano que deriva diretamente do sânscrito); a sua
origem, está ligada a própria estrutura psíquica do ser humano. A capacidade
vocal de um ser humano, ou seja, a sua aptidão para articular um grande número
de sons, mais do que qualquer outro ser vivo, deve-se ao facto, entre outros,
de eles serem inerentes à variedade da estrutura
do seu corpo psíquico .
No caso dos
animais, os seus canais de energia, não têm uma estrutura variada como no caso
dos seres humanos, eles têm todos a mesma forma: eles são todos planos ou todos
redondos, ou todos quadrados, enquanto que nos seres humanos eles são muito
variados. Por consequência, a variedade de sons que um animal pode fazer é
muito limitada, por comparação com um ser humano.
Assim, quando
estamos a entoar um mantra em sânscrito/tibetano, o som que se propaga
através da vibração, está a “influenciar” diretamente a vasta rede de canais
subtis que existe dentro dos nossos corpos subtis, atuando no nosso ser. Como
essa rede de canais, está diretamente ligada à estrutura da nossa psique, o som
dos mantras, atua no âmago da nossa mente.

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