A íntima conexão entre a mente e o corpo sempre foram
tidas como princípios e postulados básicos das grandes correntes espirituais e
médicas do Oriente. No entanto no Ocidente, essa visão sempre foi tida como
estranha, por incrível que pareça, até há bem poucas décadas atrás; a mente e o
corpo, durante muito tempo, foram separados por um muro denso e espesso. Na conceção
ocidental, a mente era um fantasma e o corpo uma espécie de máquina. No que
diz, por exemplo, respeito à medicina alopática, estas ocupavam domínios
totalmente distintos. Até há poucas décadas atrás, as mais prestigiadas
publicações médicas ocidentais ridicularizavam o conceito de que a doença e a
saúde, dependiam de algo tão nebuloso como a mente dos pacientes...e esta visão,
tão míope quanto estreita, da medicina médica, durante muito tempo foi vigente
no Ocidente, e tal como uma inquisição saída de um cristianismo déspota e
degenerado, perseguiu implacavelmente aqueles que se atreviam a discordar desse
ponto de vista, criando muito sofrimento e muitos dissabores.
No entanto, a partir dos anos 70, começaram
a surgir evidências científicas que apontavam, cada vez mais, na validação da
teoria da conexão mente-corpo; estas começaram a ganhar peso com a descoberta
de moléculas mensageiras, neuroquímicos, que fluíam pela corrente sanguínea,
transformando pensamentos, emoções, crenças, desejos, sonhos e medos em
realidade física. A mente se torna matéria, não por um passe de mágica, mas
como processo natural dos cinquenta triliões de células do corpo.
Entre
outras, as pesquisas mais recentes dos Institutos de Saúde americanos (National
Institutes of Health) apuraram dados importantes sobre a relação da mente, com
o corpo físico. Atualmente, sabe-se que o cérebro segrega uma substância química
- os neuropeptídeos - sempre que ocorre um pensamento ou um sentimento. O tipo
de neuropeptídeo produzido depende da qualidade do pensamento ou do sentimento
em causa. Por outro lado, os neuropeptídeos, não estão confinados ao cérebro ou
ao sistema nervoso. Descobriram-se recetores destas substâncias em diversos
órgãos, nomeadamente no sistema digestivo, no coração, nos pulmões, nos rins, e
até no sistema imunitário, o que indica que exercem uma influência importante
sobre todos os processos fisiológicos, entre os quais, é claro, a produção de
energia e o sistema imunitário. Hoje sabe-se que um individuo, não experimenta
uma única emoção, sem compartilhá-la com as células do coração, dos pulmões,
rins, estômago e intestinos. Esses órgãos participam de sua vida mental, tanto
quanto o cérebro. Tudo o que a mente pode conceber, é projetado numa tela de
três dimensões, a que chamamos corpo. Na verdade, não temos um corpo e uma
mente, mas um “corpomente”, uma teia de inteligência sem costuras que expressa
cada fagulha de intuição, cada alteração na configuração dos aminoácidos, cada
vibração dos eletrões.
Tudo
isto já era muito bem conhecido e explicado pelas antigas correntes milenares
médicas, como a medicina Ayurvédica e a medicina Tibetana.



