terça-feira, 20 de outubro de 2015

A CONEXÃO CORPO/MENTE


A íntima conexão entre a mente e o corpo sempre foram tidas como princípios e postulados básicos das grandes correntes espirituais e médicas do Oriente. No entanto no Ocidente, essa visão sempre foi tida como estranha, por incrível que pareça, até há bem poucas décadas atrás; a mente e o corpo, durante muito tempo, foram separados por um muro denso e espesso. Na conceção ocidental, a mente era um fantasma e o corpo uma espécie de máquina. No que diz, por exemplo, respeito à medicina alopática, estas ocupavam domínios totalmente distintos. Até há poucas décadas atrás, as mais prestigiadas publicações médicas ocidentais ridicularizavam o conceito de que a doença e a saúde, dependiam de algo tão nebuloso como a mente dos pacientes...e esta visão, tão míope quanto estreita, da medicina médica, durante muito tempo foi vigente no Ocidente, e tal como uma inquisição saída de um cristianismo déspota e degenerado, perseguiu implacavelmente aqueles que se atreviam a discordar desse ponto de vista, criando muito sofrimento e muitos dissabores.
    No entanto, a partir dos anos 70, começaram a surgir evidências científicas que apontavam, cada vez mais, na validação da teoria da conexão mente-corpo; estas começaram a ganhar peso com a descoberta de moléculas mensageiras, neuroquímicos, que fluíam pela corrente sanguínea, transformando pensamentos, emoções, crenças, desejos, sonhos e medos em realidade física. A mente se torna matéria, não por um passe de mágica, mas como processo natural dos cinquenta triliões de células do corpo.
   Entre outras, as pesquisas mais recentes dos Institutos de Saúde americanos (National Institutes of Health) apuraram dados importantes sobre a relação da mente, com o corpo físico. Atualmente, sabe-se que o cérebro segrega uma substância química - os neuropeptídeos - sempre que ocorre um pensamento ou um sentimento. O tipo de neuropeptídeo produzido depende da qualidade do pensamento ou do sentimento em causa. Por outro lado, os neuropeptídeos, não estão confinados ao cérebro ou ao sistema nervoso. Descobriram-se recetores destas substâncias em diversos órgãos, nomeadamente no sistema digestivo, no coração, nos pulmões, nos rins, e até no sistema imunitário, o que indica que exercem uma influência importante sobre todos os processos fisiológicos, entre os quais, é claro, a produção de energia e o sistema imunitário. Hoje sabe-se que um individuo, não experimenta uma única emoção, sem compartilhá-la com as células do coração, dos pulmões, rins, estômago e intestinos. Esses órgãos participam de sua vida mental, tanto quanto o cérebro. Tudo o que a mente pode conceber, é projetado numa tela de três dimensões, a que chamamos corpo. Na verdade, não temos um corpo e uma mente, mas um “corpomente”, uma teia de inteligência sem costuras que expressa cada fagulha de intuição, cada alteração na configuração dos aminoácidos, cada vibração dos eletrões.
   Tudo isto já era muito bem conhecido e explicado pelas antigas correntes milenares médicas, como a medicina Ayurvédica e a medicina Tibetana.





terça-feira, 29 de setembro de 2015

 

   If happiness depended on only material development, rich countries such as America would be very happy places...many people try to follow the American way of life, thinking it will bring them happiness, but personally, I find greater peace in more spiritually minded countries such as India and Nepal. These are much happier countries, more peaceful for the mind. When I return to India after traveling in the West, it’s like coming home. There are so many differences. India is actually a very spiritual country and this makes a great difference to the mind."
“When you look at materialistic societies and the way people live, your own mind gets disturbed. The people there are increasingly busy, and new and different problems continually arise; they’re tense and nervous and have no time to relax. In India, you see people relaxing all over the place, but in the West, you pick up the vibration of the population’s agitated minds and finish up feeling nervous yourself. If happiness depended solely on external development, countries like Switzerland and America would be the most peaceful places on earth, with less quarreling, fighting and violence, but they’re not like that.”

     
- Lama Zopa Rinpoché

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

             O PODER DOS MANTRAS E A CONSTITUIÇÃO SUBTIL DO SER HUMANO                         (PARTE 1)

No mundo humano, o corpo físico e psíquico é estruturado de uma maneira particular. Para além da estrutura física do corpo humano, que é relativamente conhecida pela atual medicina científica, e que é constituída pelos sistema nervoso, sistema circulatório, linfático, digestivo, etc, existe, no entanto, segundo a antiga medicina tibetana, um conjunto de sistemas energéticos que são invisíveis não apenas ao olho humano, mas também aos atuais instrumentos da ciência médica. Dentre esses sistemas energéticos, estão, entre outros, o sistema dos canais subtis (em tibetano Rtsa). Esse sistema de canais subtis é formado por um vasto sistema circulatório constituído por 72000 canais de energia, e que estão todos ligados a um canal principal chamado de canal central. Para além deste canal central existem dois outros canais, paralelos a este, que estão ligados à energia solar e energia lunar no nosso corpo. As formas das extremidades de todo este vasto sistema de canais subtil, correspondem às 56 vogais e consoantes ALIKALI do alfabeto sânscrito. Este alfabeto tem por origem, as configurações das extremidades dos canais de energia, que determinam a forma particular como os sons são formados ( as 56 vogais e consoantes ALIKALI, são as chaves para o espectro de vibrações cósmicas puras. No Oriente, na tradição tântrica hinduísta e budista, temos o arquétipo da Deusa da Sabedoria Sarasvati, que toca uma vina com 56 cordas. Cada uma dessas cordas representa uma das letras mântricas puras do alfabeto sânscrito ALIKALI. Quando recitamos um mantra, usamos essas chaves de sabedoria para nos sintonizarmos com o fluxo cósmico da energia de puro cristal da nossa mente). Esta é uma das razões pelos quais a língua sânscrita é uma língua sagrada (assim como o tibetano que deriva diretamente do sânscrito); a sua origem, está ligada a própria estrutura psíquica do ser humano. A capacidade vocal de um ser humano, ou seja, a sua aptidão para articular um grande número de sons, mais do que qualquer outro ser vivo, deve-se ao facto, entre outros, de eles serem inerentes à  variedade da estrutura do seu corpo psíquico .
No caso dos animais, os seus canais de energia, não têm uma estrutura variada como no caso dos seres humanos, eles têm todos a mesma forma: eles são todos planos ou todos redondos, ou todos quadrados, enquanto que nos seres humanos eles são muito variados. Por consequência, a variedade de sons que um animal pode fazer é muito limitada, por comparação com um ser humano.
Assim, quando estamos a entoar um mantra em sânscrito/tibetano, o som que se propaga através da vibração, está a “influenciar” diretamente a vasta rede de canais subtis que existe dentro dos nossos corpos subtis, atuando no nosso ser. Como essa rede de canais, está diretamente ligada à estrutura da nossa psique, o som dos mantras, atua no âmago da nossa mente.


sábado, 23 de maio de 2015

A PALAVRA DO BUDA: O SAMSARA

 "O começo deste samsara é inconcebível; difícil é de se conhecer qualquer princípio dos seres que, obstruídos pela ignorância e enredados na cobiça, correm apressadamente através deste ciclo de renascimentos.
O que pensais ser maior: a inundação das lágrimas que, em choro e lamento, haveis derramado neste longo caminho - nesta corrida desenfreada ao longo deste ciclo de renascimentos, unido ao que é indesejável, separado do que é desejável - ou as águas dos quatro oceanos?
Durante muito tempo sofreste a morte de pai, mãe, filhos, filhas, irmãos e irmãs. E nesse sofrimento, haveis derramado na realidade mais lágrimas neste longo caminho do que a água dos quatro grande oceanos". S.15:3 (Samyutta-Nikaya 15:3)

 "O que pensais ser maior: os rios de sangue que foram derramados pela vossa decapitação, neste longo caminho...ou as águas dos quatro oceanos?
Por eras sem fim, tendes sido apanhados como ladrões, ou bandidos ou adúlteros e, na verdade, pela vossa decapitação, correu muito mais sangue neste longo caminho do que a água dos quatro oceanos.
Mas como é isto possível?
É inconcebível o começo deste samsara; difícil será de conhecer qualquer início dos seres que obstruídos pela ignorância e enredados pela cobiça, correm apressadamente por este ciclo de renascimentos".
S.15:13 (Samyutta-Nikaya 15:13)

 "E assim, há muito que vós tendes vindo a sofrer, vivendo tormento, vivendo o infortúnio, a encher os cemitérios; na verdade, já há muito que vós tendes vivido o suficiente para vos sentirdes insatisfeitos com todas as formas de existência, o bastante para partir e libertar de todas elas".
S.15:1 (Samyutta-Nikaya 15:1)